MANUEL TAVARES · DESDE 1860

Uma história escrita pelo tempo.

Das primeiras vinhas do Douro à afirmação internacional do Vinho do Porto, descubra os momentos que moldaram um dos grandes patrimónios de Portugal.

Vinhas e socalcos nas encostas do Douro

UMA VIAGEM ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Explore os cinco capítulos da história

Percorra a história por ordem cronológica ou escolha o período que mais lhe desperta curiosidade.

CAPÍTULO I · AS ORIGENS

Antes de existir o Vinho do Porto, já o Douro tinha uma história para contar.

Muito antes de o Vinho do Porto conquistar os mercados internacionais, a vinha já fazia parte da vida das comunidades que habitavam o vale do Douro.

Uma terra marcada pela vinha

A tradição vitivinícola do Douro é muito anterior à formação de Portugal. Vestígios arqueológicos da Idade do Bronze revelam a presença da videira na região, enquanto estruturas da época romana testemunham a produção de vinho.

Durante a ocupação romana, a viticultura terá conhecido uma expansão significativa. Lagares escavados na pedra e vestígios de antigas explorações agrícolas revelam a importância de uma atividade que viria a transformar profundamente o território.

Entre encostas íngremes, solos de xisto e um rio que atravessa montanhas, desenvolveu-se uma relação duradoura entre a terra, a vinha e as comunidades que nela trabalhavam.

Paisagem do rio Douro entre encostas e vegetação
A paisagem do Douro, território de uma tradição vitivinícola milenar.

UM PORMENOR ESSENCIAL

O vinho do Douro ainda não era o Porto que hoje conhecemos.

A produção de vinho na região atravessa muitos séculos, mas o Vinho do Porto moderno resulta de uma evolução posterior das práticas de vinificação, fortificação, envelhecimento e comércio. Conhecer esta diferença ajuda-nos a compreender a verdadeira dimensão da sua história.

Os mosteiros e a continuidade de uma tradição

Durante a Idade Média, o vinho continuou a desempenhar um papel importante na economia, na alimentação e nas práticas religiosas. A viticultura manteve-se presente em numerosas comunidades do vale do Douro, muito antes do reconhecimento de Portugal como reino.

As comunidades monásticas contribuíram para a organização das propriedades agrícolas e para a transmissão de conhecimentos. A Ordem de Cister teve particular influência, através de mosteiros como São João de Tarouca, Santa Maria de Salzedas e São Pedro das Águias.

A vinha tornou-se parte integrante da vida económica e cultural da região. Gerações sucessivas de agricultores foram desenvolvendo técnicas e conhecimentos que ajudaram a consolidar esta tradição.

Imagem de ambiente histórico com barricas e trabalhadores ligados ao vinho
Imagem de arquivo ilustrativa da tradição comercial do vinho. Data e contexto histórico não confirmados.

O rio que abriu caminho ao mundo

A geografia do Douro favorecia a produção de vinho, mas dificultava o transporte por terra. O rio tornou-se uma via fundamental para fazer chegar os produtos do interior às zonas comerciais próximas do Atlântico.

Os vinhos desciam em direção ao Porto e a Vila Nova de Gaia, onde eram armazenados, negociados e encaminhados para outros mercados.

Esta ligação entre a região produtora, as cidades do litoral e as rotas marítimas europeias preparou o caminho para a futura projeção internacional do Vinho do Porto.

UM MARCO NA HISTÓRIA

1678

O nome que atravessou fronteiras

Ao longo do século XVII, os vinhos provenientes do Douro ganharam importância crescente no comércio internacional.

Em 1678 surge o primeiro registo alfandegário conhecido que identifica expressamente o produto como «Vinho do Porto». É um marco na sua história comercial, embora os vinhos dessa época apresentassem diferenças relativamente aos estilos atuais.

A vinha deu-lhe raízes. O rio abriu-lhe caminhos. O comércio levou o seu nome além-fronteiras.

No final do século XVII, o Douro preparava-se para uma transformação decisiva. A crescente procura internacional conduziria a novos desafios e, mais tarde, à criação da Região Demarcada.

CAPÍTULO II · SÉCULOS XVII E XVIII

O vinho que conquistou o mundo.

Entre grandes rivalidades europeias, novas rotas comerciais e a necessidade de proteger a autenticidade dos vinhos do Douro, nasceu uma das mais importantes referências da história vitivinícola.

Quando a Europa descobriu o Douro

No final do século XVII, os vinhos portugueses encontraram novas oportunidades nos mercados europeus. As rivalidades entre Inglaterra e França condicionavam o comércio internacional e levaram os compradores britânicos a procurar alternativas aos vinhos franceses.

O Douro beneficiou desta procura crescente. Comerciantes portugueses, britânicos e de outras nacionalidades participaram no desenvolvimento das exportações, enquanto o Porto e Vila Nova de Gaia consolidavam a sua importância comercial.

A expansão das vendas incentivou o cultivo de novas vinhas e reforçou a ligação entre as quintas durienses e os mercados além-fronteiras.

Pintura de temática histórica utilizada para ilustrar o comércio marítimo
Ilustração de ambiente histórico. A obra não é apresentada como registo de um acontecimento específico do comércio do Vinho do Porto.

UM ACORDO QUE MARCOU O COMÉRCIO

1703

O Tratado de Methuen

Em 27 de dezembro de 1703, Portugal e Inglaterra assinaram o tratado comercial que ficou conhecido como Tratado de Methuen, também chamado Tratado dos Panos e Vinhos.

O acordo concedia condições tarifárias favoráveis aos vinhos portugueses no mercado inglês. Em contrapartida, os tecidos de lã britânicos beneficiavam de condições de acesso ao mercado português.

O tratado contribuiu para reforçar as exportações de vinho, mas teve também consequências económicas mais amplas, incluindo uma maior concorrência para a produção nacional de tecidos. O seu significado ultrapassou, portanto, a história do Vinho do Porto.

O sucesso e os perigos da prosperidade

A crescente procura internacional trouxe prosperidade a muitos intervenientes do setor, mas colocou também pressão sobre a produção e a qualidade dos vinhos.

A expansão da vinha e o aumento do comércio foram acompanhados por episódios de adulteração, contrafação e comercialização de vinhos de proveniência duvidosa.

Na primeira metade da década de 1750, a perda de confiança dos compradores, a diminuição das exportações e os problemas de escoamento contribuíram para uma crise profunda. Tornava-se urgente defender a autenticidade dos vinhos do Douro e reorganizar o comércio.

UM MARCO NA HISTÓRIA DO VINHO

1756

O nascimento da Região Demarcada do Douro

Em 10 de setembro de 1756, durante o reinado de D. José I, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, por iniciativa do governo dirigido por Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal.

A Companhia recebeu poderes para intervir na organização da produção e do comércio, estabelecer critérios de classificação e combater práticas que ameaçavam a qualidade e a proveniência dos vinhos.

Estavam lançadas as bases de um sistema pioneiro de demarcação e regulamentação da origem. O Douro passou a ser reconhecido como uma referência fundamental na história das regiões vitivinícolas demarcadas do mundo.

Imagem a preto e branco de barcos rabelos no rio
Barcos rabelos, símbolos históricos do transporte de vinho pelo Douro. A fotografia não documenta as demarcações do século XVIII.

1757 a 1761 · Os marcos pombalinos

A criação da Companhia não significou que todo o território tivesse sido imediatamente delimitado.

Nos anos seguintes realizaram-se as primeiras demarcações físicas da região, assinaladas por marcos de granito que ajudavam a identificar os limites das áreas reconhecidas para determinados vinhos.

Conhecidos como marcos pombalinos, estes testemunhos materiais continuam a recordar a importância da proteção da origem e da regulamentação da produção duriense.

O LEGADO DE 1756

Proteger a origem. Defender a autenticidade.

A demarcação e a regulamentação da região representaram uma resposta a problemas comerciais concretos, mas deixaram um legado muito mais duradouro: o reconhecimento de que a identidade de um vinho está profundamente ligada ao território onde é produzido.

Este modelo contribuiu para a evolução dos sistemas modernos de proteção das denominações de origem, embora as regras atuais sejam diferentes das que existiam no século XVIII.

O Douro conquistara mercados e aprendera a defender o seu nome. Mas ainda teria de enfrentar a sua maior prova.

O século XIX traria profundas mudanças políticas, novas formas de produção e doenças capazes de devastar as vinhas. A história do Vinho do Porto estava prestes a entrar num dos seus períodos mais difíceis.

CAPÍTULO III · SÉCULO XIX

Quando o Douro teve de renascer.

Entre conflitos políticos, doenças devastadoras e grandes transformações económicas, o século XIX colocou à prova a resistência de uma região que fizera da vinha parte da sua identidade.

Um século de profundas mudanças

O século XIX começou sob o impacto das guerras napoleónicas. As invasões francesas de 1807 a 1810 perturbaram a economia portuguesa e afetaram o comércio do Vinho do Porto, embora as exportações tenham recuperado nos anos seguintes.

A Revolução Liberal de 1820, iniciada no Porto, e a Guerra Civil de 1828 a 1834 trouxeram novas transformações políticas e económicas. Ao longo das décadas seguintes, os poderes da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro foram sendo alterados, num processo de crescente liberalização do comércio.

A organização do setor atravessou sucessivas reformas ao longo do século. Enquanto se discutiam novas formas de regular a produção e o comércio, as próprias vinhas começavam a enfrentar ameaças cada vez mais graves.

A PRIMEIRA GRANDE AMEAÇA

Década de 1850 · O oídio

Na década de 1850, o oídio atingiu as vinhas do Douro. Esta doença fúngica prejudicava folhas, rebentos e cachos, comprometendo o desenvolvimento das uvas e reduzindo a produção.

Os viticultores tiveram de adaptar as suas práticas de proteção das videiras. Era o início de um período especialmente difícil, numa região cuja economia dependia profundamente da vinha. A ameaça seguinte seria ainda mais destrutiva.

LISBOA · RUA DA BETESGA · DESDE 1860

1860

Nasce a Manuel Tavares.

Em 1860, numa época em que o país atravessava profundas transformações económicas e sociais, nasce em Lisboa a Manuel Tavares.

A nossa história e a história do Douro seguiram percursos próprios, mas pertencem ao mesmo património português de tradição, comércio e cultura gastronómica. Mais de século e meio depois, ambas continuam vivas na forma como descobrimos e valorizamos o vinho.

A fundação da Manuel Tavares em 1860 é aqui apresentada como contexto histórico. Não implica uma ligação comercial documentada da loja aos produtores do Douro nesse período.

UM DOS MOMENTOS MAIS DRAMÁTICOS DA HISTÓRIA DO DOURO

1863

A filoxera. Uma ameaça quase invisível.

Os primeiros registos da presença da filoxera no Douro remontam, provavelmente, a 1863. Originário da América do Norte, este pequeno inseto atacava as raízes das videiras europeias, enfraquecendo-as progressivamente até provocar a sua morte.

Durante anos, os produtores procuraram combater uma praga para a qual ainda não existia uma solução eficaz e duradoura. Vinhas inteiras foram devastadas e muitas propriedades perderam a sua capacidade produtiva.

As consequências foram também humanas. Famílias ficaram sem meios de subsistência, trabalhadores abandonaram a região e muitas comunidades enfrentaram enormes dificuldades económicas.

Os mortórios: as marcas de uma paisagem ferida

A devastação deixou marcas profundas na paisagem duriense. Muitos terrenos deixaram de ser cultivados e antigos socalcos permaneceram abandonados.

Conhecidos como mortórios, estes vestígios de vinhas abandonadas recordam um dos períodos mais difíceis da história agrícola do Douro.

São testemunhos silenciosos de uma crise que atingiu não apenas as plantas, mas as pessoas, o trabalho e a economia de toda uma região.

Reconstruir as vinhas. Recuperar o futuro.

A recuperação exigiu novas soluções técnicas. Entre as mais importantes esteve a utilização de porta-enxertos de origem americana, resistentes à filoxera, sobre os quais passaram a ser enxertadas castas europeias.

Este método permitiu preservar variedades tradicionais e reconstruir vinhas que tinham sido devastadas.

A reconstrução trouxe também alterações à paisagem: novos socalcos, reorganização de terrenos e expansão da viticultura para áreas do Douro Superior. Foi um processo longo, dispendioso e desigual, que exigiu um esforço extraordinário dos viticultores.

Barco rabelo no rio Douro, com a cidade do Porto em segundo plano
Imagem contemporânea de um barco rabelo, símbolo das ligações históricas entre o Douro e o Porto.

NOVOS CAMINHOS PARA O DOURO

1873 a 1887 · O caminho-de-ferro transforma a região

Em 1873 começou a construção da Linha do Douro. Ao longo dos anos seguintes, o caminho-de-ferro avançou pelo vale, melhorando as ligações entre a região produtora, a cidade do Porto e a fronteira espanhola.

Em 1887, a linha alcançou Barca de Alva e ficou concluída a ligação ferroviária internacional na direção de Salamanca.

A ferrovia facilitou o transporte de pessoas, equipamentos e mercadorias. Juntamente com a reconstrução das vinhas e a evolução das práticas agrícolas, contribuiu para transformar a economia e a geografia vitivinícola do Douro.

Um novo Douro no final do século

Nas últimas décadas do século XIX, a viticultura duriense começou a recuperar progressivamente. As novas técnicas agrícolas, a reorganização das propriedades e as melhores comunicações criaram possibilidades de desenvolvimento.

Mas nem todas as vinhas foram recuperadas e as consequências sociais da crise não desapareceram rapidamente. A região que entrava no século XX estava profundamente transformada, conservando as marcas da devastação e o conhecimento adquirido durante a reconstrução.

A filoxera transformou a paisagem. A resistência das suas gentes permitiu ao Douro continuar a escrever a sua história.

O século XX traria uma nova etapa: regulamentação, instituições de controlo, modernização do setor e novas formas de produzir e comercializar o Vinho do Porto.

CAPÍTULO IV · SÉCULO XX

O Douro que reinventou a tradição.

Novas instituições, regras de proteção, mudanças nos mercados e uma diversidade crescente de estilos transformaram o Vinho do Porto ao longo do século XX.

Um novo século, novas regras

O século XX encontrou o Douro ainda marcado pelas dificuldades das décadas anteriores. A reconstrução das vinhas avançava, mas persistiam tensões entre produtores e comerciantes e continuava a ser necessário proteger a origem dos vinhos.

Em 1907 e 1908, o governo de João Franco promoveu uma profunda reforma da legislação vitivinícola portuguesa. No Douro, a reorganização da demarcação e das regras de comercialização reforçou a proteção do nome Vinho do Porto.

A região procurava um novo equilíbrio entre liberdade comercial, controlo da produção e defesa da reputação construída ao longo de séculos.

Pipas de madeira utilizadas no armazenamento e envelhecimento do vinho
As pipas de madeira fazem parte da tradição de armazenamento e envelhecimento de muitos estilos de Vinho do Porto.

1926 · O Entreposto de Vila Nova de Gaia

Vila Nova de Gaia já desempenhava há muito um papel fundamental no armazenamento, envelhecimento e comércio do Vinho do Porto.

Em 1926, a criação do Entreposto de Gaia estabeleceu um enquadramento territorial específico para estas atividades, concentrando ali o armazenamento comercial do Vinho do Porto.

As caves tornaram-se ainda mais centrais na organização do setor, reunindo reservas de vinho, conhecimento técnico e a experiência das grandes casas exportadoras.

A ORGANIZAÇÃO MODERNA DO SETOR

1933

Nasce o Instituto do Vinho do Porto

A crise económica internacional do início dos anos 1930 agravou as dificuldades do setor e tornou ainda mais urgente a sua reorganização.

Em 1932 foi constituída a Casa do Douro, ligada à representação dos viticultores. No ano seguinte surgiram o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto e o Instituto do Vinho do Porto.

O Instituto assumiu funções públicas de controlo da qualidade, garantia da origem e fiscalização do setor. Estas instituições integravam o modelo corporativo do Estado Novo, que marcaria a organização da produção e do comércio durante várias décadas.

Novos mercados, novas formas de apreciar o Porto

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Vinho do Porto começou a conquistar novos consumidores e a diversificar a sua presença internacional.

Em 1963, a França tornou-se o maior mercado de Vinho do Porto em volume, ultrapassando o tradicional mercado britânico. Era um sinal claro da transformação dos hábitos de consumo.

Ao mesmo tempo, diferentes estilos ganharam visibilidade, permitindo descobrir o Vinho do Porto em ocasiões que iam muito além dos momentos tradicionalmente associados à sua degustação.

UM UNIVERSO DE ESTILOS

Diferentes maneiras de descobrir um grande vinho.

A diversidade sempre fez parte da identidade do Vinho do Porto, mas o século XX foi decisivo para a afirmação e regulamentação de várias categorias especiais.

Os Vintage continuaram a representar algumas das grandes expressões de vinhos de uma única vindima. Os LBV, também provenientes de uma única colheita, ganharam reconhecimento com um período de estágio e engarrafamento diferente.

Os Tawny com indicação de idade, os Colheita e os Portos brancos revelaram outras possibilidades de envelhecimento, aromas e experiências de degustação.

Cada categoria obedece a características e regras próprias. Mais do que uma escala de preços ou prestígio, esta diversidade permite encontrar diferentes expressões de uma mesma tradição.

Um rio, novos caminhos

Durante gerações, os barcos rabelos tinham transportado pipas de vinho num rio de navegação difícil e exigente.

O desenvolvimento do caminho-de-ferro, das estradas e das grandes barragens transformou progressivamente o transporte de mercadorias.

Com o início da construção da barragem do Carrapatelo, em 1964, o Douro entrou numa nova fase de transformação da sua navegabilidade. Os rabelos deixaram gradualmente a sua função comercial, tornando-se símbolos de um património que continua vivo na memória da região.

Vista contemporânea da cidade do Porto ao entardecer
O Porto, historicamente ligado ao comércio dos vinhos do Douro com os mercados internacionais.

UMA NOVA ETAPA POLÍTICA E ECONÓMICA

1974 · Democracia e transformação

A Revolução de 25 de Abril de 1974 marcou o início de uma nova etapa na história de Portugal. O fim do Estado Novo trouxe mudanças à organização institucional do setor do Vinho do Porto.

O Grémio dos Exportadores foi extinto e o modelo corporativo começou a ser substituído por novas formas de representação e organização.

Também evoluíram as regras de engarrafamento e comercialização. A partir de 1975, os Vintage passaram a ser obrigatoriamente engarrafados em Portugal, reforçando o controlo desta etapa fundamental.

UM NOVO HORIZONTE PARA AS QUINTAS DO DOURO

1986

Do Douro diretamente para o mundo.

Em 1986, ano da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, uma alteração legislativa abriu novas possibilidades à comercialização do Vinho do Porto.

Os produtores que cumprissem os requisitos legais e técnicos passaram a poder exportar Vinho do Porto engarrafado diretamente a partir do Douro, sem depender exclusivamente do circuito tradicional associado ao Entreposto de Gaia.

Esta mudança criou novas oportunidades para quintas e produtores desenvolverem marcas próprias e aproximarem a identidade comercial dos seus vinhos do território onde eram produzidos.

As grandes casas exportadoras e as caves de Gaia continuaram a desempenhar um papel importante. O que mudou foi a possibilidade de novos protagonistas participarem mais diretamente no comércio internacional.

Tradição e inovação, lado a lado

Nas últimas décadas do século XX, o Douro assistiu à renovação de muitas vinhas, à evolução das técnicas de produção e a uma valorização crescente da identidade de cada quinta.

O conhecimento transmitido entre gerações continuou a ser essencial, mas passou a beneficiar de novas ferramentas e de uma compreensão mais aprofundada das castas, dos solos e das condições de maturação.

O século terminava com um setor renovado, mais aberto à diversidade de produtores e preparado para os desafios do novo milénio.

A tradição não ficou parada no tempo. Foi a capacidade de evoluir que permitiu ao Vinho do Porto continuar a conquistar gerações.

O século XXI traria o reconhecimento do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial, novos desafios ambientais e uma valorização crescente das pessoas e dos lugares onde nasce este vinho.

CAPÍTULO V · SÉCULO XXI

Uma história que continua a ser escrita.

O Douro entrou no novo milénio com uma herança extraordinária. Entre o reconhecimento internacional, a inovação e os desafios de um mundo em transformação, o Vinho do Porto continua a honrar as suas origens.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

2001

O Alto Douro Vinhateiro torna-se Património Mundial.

Em dezembro de 2001, o Alto Douro Vinhateiro foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, como Paisagem Cultural.

O reconhecimento valorizou uma paisagem transformada por séculos de trabalho humano. Os socalcos, as quintas, as aldeias e os caminhos testemunham a relação profunda entre as comunidades durienses e a produção de vinho.

Mais do que a beleza do território, a distinção reconheceu a continuidade de uma tradição vitivinícola e a forma como sucessivas gerações moldaram o vale do Douro.

Um património que exige proteção

O reconhecimento internacional trouxe também uma responsabilidade acrescida: conservar a identidade de uma paisagem que continua a ser habitada, cultivada e transformada.

O Douro não é um monumento imutável. É um território vivo, onde a atividade agrícola, a preservação do património e as necessidades das comunidades têm de encontrar um equilíbrio.

Proteger esta herança significa valorizar tanto os elementos históricos da paisagem como as pessoas que continuam a trabalhar as suas vinhas.

PROTEGER A ORIGEM E A AUTENTICIDADE

2003

O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto

Em 2003, a reorganização das estruturas de regulação do setor deu origem ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, conhecido como IVDP.

O novo organismo reuniu competências anteriormente exercidas pelo Instituto do Vinho do Porto e pela Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro.

O IVDP desempenha um papel essencial na proteção das denominações de origem Porto e Douro e da indicação geográfica Duriense, assegurando funções de controlo e certificação. A defesa da autenticidade continua, assim, a ser parte fundamental da identidade destes vinhos.

As quintas e uma nova geração de produtores

No século XXI, o Douro continua a reunir grandes casas históricas, quintas familiares e produtores com diferentes dimensões, experiências e formas de interpretar a tradição.

A crescente valorização da origem dos vinhos trouxe maior atenção às características de cada propriedade: a altitude, a exposição das encostas, os solos, as castas e as condições de cada vindima.

O conhecimento transmitido entre gerações convive hoje com novas técnicas de análise e produção. A inovação permite compreender melhor o território, sem eliminar a importância da experiência humana.

Vinho tinto servido em copo, imagem ilustrativa da cultura do vinho
O vinho continua a unir tradição, conhecimento e novas formas de descoberta.

UM PATRIMÓNIO DE SABORES E ESTILOS

Há muitas maneiras de conhecer o Vinho do Porto.

O Vinho do Porto apresenta hoje uma extraordinária diversidade de estilos, desde os Ruby de expressão frutada aos grandes Vintage, passando pelos LBV, pelos Tawny envelhecidos e pelos Colheita.

Os Portos brancos e rosés oferecem outras possibilidades de degustação e harmonização, mostrando que este vinho não pertence apenas a uma ocasião ou a uma forma de consumo.

A regulamentação acompanha também a valorização de vinhos de envelhecimento excecional. Em 2022 foram introduzidas as menções de idade de 50 anos e Very Very Old, reconhecendo novas formas de apresentar reservas muito antigas.

Cada categoria tem características e regras próprias. Descobrir essas diferenças é descobrir a riqueza de um vinho que continua a surpreender.

O desafio de preservar o futuro

O Douro sempre foi uma região exigente para a viticultura. Os verões quentes, a disponibilidade limitada de água e os declives acentuados fazem parte das condições que moldaram a sua identidade.

As alterações climáticas acrescentam novos desafios, com impactos potenciais na disponibilidade de água, na maturação das uvas e na regularidade das colheitas.

A resposta exige investigação, adaptação das práticas agrícolas, proteção dos solos e uma gestão cada vez mais cuidada dos recursos naturais.

Preservar o Vinho do Porto significa também garantir condições para que as próximas gerações possam continuar a cultivar a vinha e a viver no território que lhe dá origem.

MAIS DO QUE VINHO

Um território, uma cultura, muitas gerações.

O património do Douro vive também nas aldeias, nas quintas, nas tradições agrícolas, nos ofícios e na gastronomia.

Conhecer uma região vitivinícola é compreender aquilo que existe para além da garrafa: o trabalho das pessoas, a diversidade das paisagens e o conhecimento que torna cada vindima uma expressão singular do território.

MANUEL TAVARES · LISBOA · DESDE 1860

Há tradições que atravessam gerações. E continuam a merecer ser descobertas.

Desde 1860, fazemos parte da história comercial de Lisboa. Na Rua da Betesga, entre o Rossio e a Praça da Figueira, mantemos viva a tradição de uma casa onde a escolha de um vinho pode começar por uma simples conversa.

O Vinho do Porto ocupa um lugar especial nesta descoberta. Dos estilos mais jovens aos grandes Vintage e aos vinhos de longa maturação, cada garrafa representa uma oportunidade de conhecer melhor este património português.

Acreditamos que o conhecimento sobre o vinho deve ser partilhado. Por isso, queremos continuar a aproximar os nossos clientes das histórias, das regiões e dos produtores que tornam cada escolha especial.

Porque uma grande tradição não é apenas aquilo que se conserva. É também aquilo que se transmite.

A VIAGEM CONTINUA

Descubra ainda mais sobre o Vinho do Porto.

Agora que conhece a sua história, explore os diferentes estilos, descubra harmonizações e continue a viagem pelo universo do Vinho do Porto.

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